terça-feira, 22 de maio de 2007

Cheio de sem tempo















Não tenho tempo
Tempo é ilusão
Paro o tempo no relógio
Tenho tempo em minhas mãos

Não tenho tempo
Foi só uma distração
Perdi a tal da hora
Tempo é invenção

Não tenho tempo
E já me acostumei
Não necessito andar depressa
Pois muitos tempos transpassei

Não tenho tempo
Escrever não é obrigação
É apenas o meu jeito
Um tempo a passar com a solidão

Não tenho tempo
Põe a panela no fogo
Estou escolhendo as cartas
Arrumei tempo para este jogo

Não tenho tempo
Traz meu jaraqui
Sou feito de outra matéria
Desconhecida para ti

Não tenho tempo
Vou marcar o terreno
Enxuga teus olhos
Umedece-os no sereno

Não tenho tempo
Esquece minha camisa
Vou sair amarrotado
Despreocupado com a brisa

Não tenho tempo
Meus sapatos causam-me bolhas
Preciso continuar andando
O tempo esquiva-se das escolhas

Não tenho tempo
Encontro algum para te dizer
Fizeste esta poesia
Apenas arrumei tempo para escrever

Não tenho tempo
Permaneço ocioso
Tu, curiosa?
Eu, orgulhoso

Não tenho tempo
Sou animal noturno
Tu, da Grécia, Atena
Eu, de Roma, Saturno

8 comentários:

Elissa disse...

Rapha,

A cada dia vc se supera. Lindas palavras... sentimentos no ar, parabéns!

bjo

mariane disse...

Cá estou eu, como prometido. Muito interessante essas postagens. Tem certeza de que és tu que faz? Rs. Tô brincando, Rapha. Tu leva jeito pra coisa. Bjs

Alessandra disse...

Olha...

O que seria esse tempo, pra q serve, se com tanto tempo acabamos nos perdendo de nós mesmos?

Já dizia outro poeta: em vão acho todas as respostas, se mudaram todas as perguntas...entendeu alguma coisa?

Sinto-me assim também. Estamos iguais. Perdidos em um tempo só nosso, em um lugar alheio, buscando os caminhos dos nossos sonhos.

Amo você!

Beijos!

ale

Gina Mardones disse...

Realmente tu não tens tempo, porque ele somente é feito com passado, presente e futuro. Tu não tens tempo, pq tua vida é só o presente. Se isso é ruim? Sinceramente não sei, depois de ter conversado contigo, confesso que me deixaste na corda bamba. Será que o aprendizado nos impõe mais máscaras do que se não tivéssemos aprendido com o tempo? Será isso?

Rosi disse...

Oi, Raphael?!

Primeira vez q entro aki. Gostei muito do q vc escreve. Num sabia q vc tinha mais esse talento...

Qdo, tiver mais tempo volto pra ler com mais calma...

Abrçs!!!

Sheila disse...

Nana Caymmi - Resposta ao Tempo
Aldir Blanc/Cristovão Bastos

Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei
Um dia azul de verão, sinto o vento

Há folhas no meu coração é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei

E gira em volta de mim, sussurra que apaga os
caminhos
Que amores terminam no escuro sozinhos
Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inve.........ja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer
No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer

Michelle disse...

Tempo??? essa palavra não agrada muito, mas tempo temos para tudo e para todos basta se organizar q achará esse tempo q tanto procuras.

Renata disse...

SAUDADE!
acho que nada descreve melhor o que eu senti ao ler esse texto.

como nunca havia comentado sobre ele?

esse tempo de que falas foi tão bandido, passou depressa demais. E agora parece se arrastar.

abraços