domingo, 10 de agosto de 2008

Ao pai



Pai, onde estás, meu pai?
Aonde vais?
(Meu pai, que estás onde estás...)

Pai,
alimenta-me... Tenho fome...
(... desmistificado seja teu nome...)

Pai,
não encontro mais meus brinquedos
(... venham a mim os teus medos...)

Pai,
abraça-me, que sinto saudades
(... sejam desfeitas tuas verdades...)

Pai,
temo o que esta vida encerra
(...seja no céu, seja na terra...)

Pai,
cobre-me, que a madrugada é de ventania
(E o julgamento de cada dia...)

Pai,
não me mantenhas tão longe
(..nega-me apenas hoje...)

Pai,
de horas de silêncio tão intensas
(...aceita minhas descrenças...)

Pai,
jamais foste esquecido
(...como aceitei-me perdido...)

Pai,
não enxergo nesta escuridão
(... e não me falte tua mão...)

Pai,
Meu pai, do começo ao final
(...nem me leves a mal...)

Pai,
Que assim sejamos... Amém
(...ou além!)

12 comentários:

Flávia Costa disse...

Que seja feita a tua vontade, hoje e sempre.

abraços:)

Fatum disse...

Ostra feliz não produz pérolas...diria Rubem Alves.

Tem que haver alguma dor, mesmo que não esteja doendo. Pode ser uma inquietação...

Lindas, perfeitas palavras.

Confirmam algumas das minhas certezas e me plantam algumas "inquietações".



Beijo grande!

VitorH disse...

Muito Bonito Raphael!
Ainda bem que a Internet nos mantém juntos! :-P

Afonso disse...

O texto me lembrou de uma citação do Nietzche (aliás, citação essa que eu achei de uma sinceridade fora do comum).


"Oração ao Deus desconhecido"

Antes de prosseguir em meu caminho e lançar o meu olhar para frente uma vez mais, elevo só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo. A Ti, das profundezas de meu coração, tenho dedicado altares festivos para que, em cada momento, Tua voz me pudesse chamar. Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras: “Ao Deus desconhecido”. Seu, sou eu, embora até o presente tenha me associado a sacrílegios. Seu, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo. Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-lo. Eu quero Te conhecer, desconhecido. Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida. Tu, o incompreensível, mas meu semelhante, quero Te conhecer, quero servir só a Ti.

F. Nietzsche

Virgínia Allan disse...

Tocou-me o coração...mais do que um lindo poema, uma oração. Hoje meu dia não foi de comemorações; Pai, meu pai,perdoa meus esquecimentos...do começo ao fim...
Obrigada Raphael, ler você é sempre um acontecimento para mim.
Beijos

julia disse...

Lindo, muito lindo!

Pai,
Que assim sejamos... Amém
(...ou além!)

Lembrei de mim mesma...e confesso que me emocionei!!!
Beijos
Fica com Deus:)

Monick Maciel disse...

Tinhas razão, emocionou-me. Ao pai, ao tio... Perder duas referências num curto espaço de tempo, sejam tortas ou ´corretas`, fez-me repensar esse dia-a-dia. Uma oração, como bem falou a Virgínia.
Que bom ter vc ao meu lado, Raphinha!
Amo-te!

Jackeline Farah disse...

Me emocionou rapha.

Muito lindo parabéns!!

joh disse...

Parabéns... você é um sucesso!!

0lga disse...

Meu filho está lindo,me emocionei, imagina o teu pai, vc. eh um filho abençoado, te amo demais.

Baré Cronos disse...

Estas palavras estrapolam quaisquer rótulo que possa determina-las.

Agora tenho uma oração que posso compartilhar com o Pai Nosso.

Amém

Ewerton disse...

D. Olga disse tudo. Agora vejo de onde veio seus valores. Seu texto lembrou-me da poeta gaúcha Maria Carpi - "A força de não ter força".